Toda corrida do ouro tem gente que cava no braço. E gente que se posiciona sabendo onde cavar.
Em 1848, quando acharam ouro na Califórnia, o mundo correu pra lá com picaretas. Mas quem mais construiu riqueza não foi quem cavou — foi quem enxergou o mapa antes dos outros: vendeu as pás, abriu os bancos, montou as rotas.
Toda geração tem a sua corrida do ouro. A do Brasil de agora não brilha: ela é cinza — da cor de guia de imposto, de tributo pago a mais durante anos sem ninguém perceber.
E ela tem tamanho medido: R$ 5,7 trilhões em disputas tributárias — quase 75% do PIB, mais que todas as empresas da bolsa brasileira somadas, segundo o Insper. Um sistema que consome 1.500 horas por ano de cada empresa produz erro em escala industrial: negócios de todos os tamanhos pagam mais imposto do que deveriam, e esse dinheiro fica enterrado nos números, esperando quem saiba escavar.
E agora o jogo recomeçou: a maior mudança tributária dos últimos 60 anos está em curso. Até 2033, todas as empresas do país vão precisar reaprender a pagar imposto.
É a corrida do ouro começando de novo. E dessa vez, com data marcada.
